Terça-feira, 16 de Agosto de 2005

Insónias...

Madrugada.
O estado de vigília teima em não me sair do corpo e dar lugar ao sono, condutor que já desespera de esperar à porta de mim. A vontade de dormir pressiona-me que tem uma viagem a fazer, mas não tem quem lhe segure no volante.
Os olhos ardem-me como se tivessem apanhado um salpico de shampoo no duche de televisão que tomo na minha cama, a seco.
Vou carregando no mesmo botão do comando televisivo numa cadência irritante. Não vejo apenas "um" canal, vejo-os todos. São pouco mais que carneiros que vou contando, sem que nenhum me adormeça. E continuo sempre a mudar, sem saber o que estou a fazer, apenas à procura. Em busca de algo que seja diferente, que me prenda a atenção.
As paredes do quarto fecham-se sobre mim, tornam-se aquosas, líquidas, derretem-se como borracha sob o calor que me cola o pijama ao corpo. Reflectem os tons que a televisão lhes dá, sempre salpicados de negro. Os retratos e fotografias que encontraram um lar num placard de cortiça na parede, sorriem-me com cumplicidade. Fazem-me sinais para que eu olhe para o meu lado, para quem tomou o seu lugar na minha cama. Os meus olhos não conseguem estabilizar a imagem da pessoa que ali repousa. Aparece e desaparece, dá lugar a outra que se transforma numa outra. Treme como flashes fotográficos, como se recebesse os sinais infra-vermelhos que saem do comando televisivo que aperto. Não consigo parar de carregar no botão, sempre em busca de algo que me faça estacar, algo que me prenda. Mas, em breve, carregarei no botão de desligar e assim ficarei, comigo próprio, a melhor companhia de todas. Apenas essa escuridão me deixa dormir em paz, apenas eu me consigo adormecer.
Mas sei perfeitamente que na noite seguinte estarei de novo a tentar. A saltar canais, à procura de algo que me faça sorrir, de algo que fale comigo, como se aquele canal tivesse sido feito para mim.
pintado por Trovador às 01:18
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2005

Meramente questões técnicas...

"Compreendo porque me escreves.
Compreendo porque te sentes bem quando o fazes.
Eu devolvo-te todos os poemas que me dás. Sei bem que nunca queres que tos aceitem. Adoro-os, mas não teria coragem de os roubar para mim. Gosto de os ver voar, não engaiolados num qualquer coração. Sei o quanto os prezas. Sei o quanto são trabalho de escultura léxica carinhosa.
Quando escreves para alguém real, esse poema passa a ser imutável. Tu nada pedes do seu destinatário absorvente, mas de algo sentes falta. Meros obrigados e elogios perdem-se no caminho, como placas na estrada sinalizando terras das quais não lembras o nome. Mas o que esperas tu? Explosões de Luz? Poemas de volta?
Mas eu... Por cada poema que sacrificas no meu altar, assassinas a tua alma. E eu devolvo-ta, iluminada, limpa, maior.
Pensa um pouco. No dia seguinte a teres plantado um novo poema para mim, não sairás à rua com a exacta expressão no rosto de quem fez amor?"
pintado por Trovador às 23:00
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