Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006

Só, com o vento...

Sentado no topo de uma colina
Acaricio as flechas que trago na aljava
O meu arco por novos tiros ansiava
Assim, liberto esta seta na noite que termina.

A neblina que me rodeia
Impede-me de te ver além.
Fico sem ter a quem
Apontar esta flecha que p'lo vôo anseia.

Meus poemas jazem ao meu lado,
Projectéis orfãos de um arco gelado.
Empenados, embotados, carcomidos,
Por falta de uso, praticamente apodrecidos.
Mas não consigo saber onde disparar,
Para onde apontar...
Pois não te dás a conhecer,
Daqui da colina não te consigo ver.

Qualquer flecha deveria
Ser disparada a um alvo dianteiro.
Mas só conheço a tua existência em mim.
Continuarei frustrado, assim,
Na esperança de te acertar um dia,
Lançando poemas através do nevoeiro.
pintado por Trovador às 11:46
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2006

Arrumações novas...

Não esperava a tua visita. Talvez porque nunca me tivesse apercebido de que tinhas partido.
Quando bateste à porta do meu coração, fiquei perplexo. Julgava-te cá dentro, pensava que estavas num dos quartos ou no atelier a pintar... Afinal a razão pela qual não te via há tanto tempo era outra...
Convidei-te para entrar no meu mundo de novo, repentinamente consciente do que tinha mudado nele, desde que te vira pela última vez. Olhei em volta e amedrontei-me. Estava tudo muito diferente. Mudara o sofá para a outra ponta da mente, de forma a ser menos utilizado; puxara a mesa de trabalho para um lugar de mais destaque, onde comecei a passar cada vez mais horas do meu dia... A cadeira que me tinhas dado, confortável quanto baste, e o caderno onde escrevia as minhas poesias... Esses fui encontrá-los num canto, com algum pó e envergonhei-me.
Olhaste em volta, também, e deixaste-me em suspenso. Tinha-me desviado demais do caminho em que estava naqueles tempos. Eu tinha a certeza de que ias odiar a nova decoração e que ias ficar pouco tempo.
Olhaste-me nos olhos, como fazias antigamente e disseste, a sorrir:
- Gosto do que fizeste com o sítio.
- A sério?
- Sim... Tens uma sala mais decidida. Já tens aquilo que sempre deverias ter: a forma de uma flecha apontada a algures.
Encolhi os ombros e sorri, envergonhado. Sentámo-nos a conversar e rasgámos tudo o que é Tempo, fazendo daquelas horas, anos inteiros.
Mas não ficaste para dormir...
pintado por Trovador às 11:31
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