Terça-feira, 24 de Maio de 2005

Fantasia...

Ele
Acorda dela
Sabendo que ela não é real.
Parte para o seu dia,
Deixa-a a dormir na cama, segura, livre do mal...

A aula não lhe importa
Corpo e mente
Não estão no mesmo lugar.
Rascunha poemas inconsequentes
Pois é inconsequente
A alguém inexistente
Os dedicar.

Entra na sala de cinema
Para sair do mundo,
Nem que seja por uns momentos.
Gostaria de partilhar com ela o filme
Sonha de novo, deambula,
Deixa-se prender nela em novos tormentos.

A loja de música
Oferece-lhe a surpresa.
Do seu album favorito restam apenas dois exemplares.
Pega num, puxa da carteira que está presa,
Dá um esticão, espalha moedas pelos ares.

Reúne o melhor que pode, embaraçado
O vil metal caído no chão
Quer voltar para casa
Quer voltar para ela
Sai de rompante, em alguém dá um encontrão.

A doce música já canta
Ele repousa no seu leito.
Cama cheia de histórias dela, transborda por fora
Mulher completa que o deixa satisfeito.

Ela
Abre os olhos matinais
Suspira, perante os desafios que a esperam
Recolhe da almofada o que dele resta
E guarda-o no peito, única companhia nos dias que não a toleram.

Ninguém conhece o que trauteia,
Ninguém lhe endereça poemas
Não compreendem a sua roupa
A sua Arte
A sua Raiva
Nem as constantes idas aos cinemas.

Destrói acordes numa guitarra
Distorce a alma, muito embora
Nada daquilo lhe pareça certo.
Grita como pode, sabe que ele lhe sussurra cada verso
De onde ela o guardou, de dentro para fora
Dali, de bem perto.

Ninguém procura a sua música
Entra em lojas sem esperança de a encontrar
Arrepia-se, quando lhe sorri
De uma estante
Solitário, forte e belo, um único exemplar.

Como um felino com a sua presa
Quer fugir para a devorar, quer matá-la
Indefesa.
Mas terá que esperar...
À sua frente, um rapaz engraçado
Espalhou moedas por todo o chão.
Paga o que deve apressado
E, ao sair, desorientado, ainda lhe dá um encontrão.

Ela
Recolhe à sua Paz.
Desembrulha-o do seu peito.
Ouve a doce música até o abraçar num doce sono.
Imagina-se com ele, de novo, ali no leito,
Fantasia encontrá-lo acordada, salvá-lo
Do seu incauto abandono...
pintado por Trovador às 19:41
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1 comentário:
De livre de nome a 24 de Maio de 2005 às 21:49
Sublimes esses encontros e desencontros! pauxana
(http://dasletras.blogs.sapo.pt)
(mailto:pauxana@sapo.pt)

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